Uma parte de você não quer sair do vermelho. Acredite!

Antes de você me xingar ou dizer que sou louco, leia este artigo até o final! Vamos te contar que parte de você, acredite, não quer sair do vermelho ou não quer que você enriqueça. Como você pode fazer para mudar isso? Em primeiro lugar, aceite a dúvida e siga adiante. Se No Final das Contas você não gostar de nada aqui, pode reclamar e comentar. Mas a gente acha que você vai acabar indicando esse artigo para mais gente. (sugestão de tirar)

“Ok, então qual parte de mim não quer que eu enriqueça?”

Calma caro leitor ou leitora, antes preciso lhe apresentar para alguém muito especial. Você mesmo(a). Na verdade, há uma parte que a gente acha que somos nós mesmos, mas é apenas uma fração de nós. Com vocês, sua mente!

Uma parte importante de nós é a nossa mente. Tem gente que chama de consciência ou de ego (para os psicólogos de plantão). Em linhas gerais, de uma forma bem simplista, é como nós nos enxergamos. São nossos diálogos internos, nossos pensamentos, nossos desejos conscientes.

Mas a gente é bem mais do que a nossa mente. Somos também matéria (um punhado de células que processa alimentos, água e oxigênio – e umas coisinhas mais), somos a parte inconsciente (os sonhos enquanto dormimos, por exemplo), a parte de nós que não conhecemos completamente, que se manifesta de maneira simbólica.

E, dentro de nós, temos também o nosso juiz interno que é formado ao longo da nossa vida com o que vivemos e aprendemos do mundo, nossas experiências e nossos valores (criados em casa). Ele que vive nos julgando e, de certa forma, nos freando.

Algumas pessoas têm o juiz bem forte, que atua como uma voz interna, nos recrimina e repreende, sempre que vamos fazer algo gostoso, divertido ou interessante. Ok, isso foi um certo exagero de minha parte. O juiz é bem importante para nos proteger, para não deixar que façamos coisas que nos prejudiquem ou que sejam contra nossos valores.

Na verdade, o juiz envia lembranças e informações diretamente para nossa consciência, a tal voz interna. E, às vezes, nem envia, apenas nos impede de fazer alguma coisa de forma automática e simplesmente deixamos de fazer essa coisa porque nem pensamos que fazer diferente fosse uma opção. Guarde bem esta informação. Ela será bem importante mais para frente.

O fato é que a dupla “juiz e voz interna” formam o que chamamos de mente. A função principal dela é impedir que você sofra. Entendemos sofrimento aqui como qualquer coisa que faça você “pagar mico” e seja ridicularizado, corra perigos físicos, seja rejeitado, entre outros.

Então, a mente é sempre legal?

Bem, não. Claro que impedir que a gente sofra é muito legal. Não fosse pela mente, talvez a gente sentisse vontade de voar e pularia do 10º andar de um prédio, porque voar é bacana… Neste caso, quando a mente impede você de fazer isso, ela está cumprindo brilhantemente seu papel. O ponto é que ela avalia situações de risco “olhando pelo retrovisor”. Em outras palavras, ela vai sempre buscar qualquer referência negativa sobre um assunto, para te “contar” e alertar dos perigos possíveis de uma determinada ação ou comportamento. A mente é medrosa e fica falando para você: Olha que isso pode dar errado. Ou então: Já pensou se isso não der certo? Ou ainda: Você está louco? Para que correr este risco? Não estamos bem do jeito que está? E este é o problema. A mente muitas vezes o impede de experimentar o novo, de tentar coisas novas que podem ser melhores do que as já conhecidas. E com isso você vai fazendo tudo sempre do mesmo jeito.

O que isso tem a ver com dinheiro e tranquilidade financeira?

Certamente você já ouviu falar da zona de conforto. Um lugar conhecido, onde os riscos são bem menores, lugar ou caminho que você domina e nem precisa pensar muito para “transitar”. Isso vale para o trabalho (quando você faz as coisas há muito tempo e domina o “pedaço”), para os relacionamentos, amizades, comportamento de compra, jeito de lidar com o dinheiro, como usar o cheque especial ou cartão de crédito… Está dando para entender? A zona de conforto é tudo aquilo que estamos acostumados, é o conhecido, é aquilo que tem risco baixo e que agrada profundamente a nossa mente. Afinal, ela já sabe que ali os perigos são pequenos ou controlados.

Em outras palavras, a mente não quer que você saia da zona de conforto porque lá vive o desconhecido, as armadilhas, o sofrimento.

E não vou mentir para você, amigo leitor, amiga leitora, fora da zona de conforto existe tensão. O que a gente não domina ou não conhece nos deixa tensos, ansiosos, nervosos. Mas este lugar é conhecido como Zona de Tensão Criativa. É exatamente aí que moram as novas competências, a criatividade, o fazer diferente. E daí nascem os conflitos e, pior do que isso, os Sabotadores!

Qual a diferença entre conflitos e Sabotadores?

Os conflitos pressupõem ideias diferentes que podem ser analisadas, debatidas e, eventualmente, essa nova ideia pode ganhar. Nesse caso, você pode se permitir experimentar o novo porque venceu esse conflito com a mente.

O problema são justamente os Sabotadores. Lembra quando eu falei do automático e disse que era importante? Pois é aqui que ele entra.

Mais uma vez, de forma simplista, nosso cérebro consome em torno de 20% da energia do nosso corpo, o que é bastante. Então, a natureza criou uma forma de economizar energia, classificando nossas experiências vividas, avaliando a repetição e tornando automático o maior número de experiências possíveis. É por isso que muitas vezes a gente não precisa pensar para fazer algumas coisas porque elas estão no automático, como dirigir, andar, falar etc. Se tivéssemos que pensar para fazer tudo, ficaríamos esgotados. Aproveito aqui para sugerir um filme que trata deste assunto de um jeito divertido chamado CLICK, com Adam Sandler (2006).

O ponto é que se a gente não interferir neste processo, a mente vai tentar classificar ou associar tudo como algo já vivido. E vai colocar no automático. Só que o mundo está mudando bem rápido  e a gente deveria questionar e vivenciar mais as experiências antes de colocá-las no automático. Isso vale para relacionamentos, para trabalhos, para saúde, para dinheiro.

E os Sabotadores?

Os Sabotadores são os agentes enviados pela mente para que você não saia da zona de conforto, para que não tire alguma coisa do automático. Isso vale para as mulheres que saem de um relacionamento e afirmam que “os homens são todos iguais” ou quando você se conforma e diz “não adianta votar diferente porque política não vale a pena” ou ainda quando diz “esse negócio de investimento é muito complicado; vou deixar isso para o gerente do banco resolver”.

Os Sabotadores são afirmações que você faz para si mesmo para deixar de pensar sobre um assunto com a finalidade de não se permitir algo novo ou diferente. Porque a mente prefere que tudo fique como está.

Mas que mal há em ficar rico?

Você pode estar se perguntando: Ok João, mas ficar rico ou ter tranquilidade financeira é bom, não há sofrimento envolvido nisso. Por que minha mente estaria “jogando contra”?

Meu caro, minha cara. A situação atual, por mais complicada que seja, é conhecida e a sua mente adora o que ela conhece. Talvez já tenha passado pela sua cabeça um pensamento do tipo: se eu ganhar na Mega Sena, já imaginou o tanto de gente que vai me pedir dinheiro emprestado? Ou tudo bem jogar, é tão difícil de ganhar mesmo…

Muitas vezes, os Sabotadores são sutis e acabam nos convencendo de que era melhor mesmo deixar tudo como está…

Pesquisa dos Sabotadores

Quando lançamos nossos cursos, nossos clientes algumas vezes apresentam objeções ou “desculpas” para não cursarem naquele momento. Fizemos uma pesquisa sobre os principais motivos de recusa.

Faço um convite a você para perceber e refletir sobre cada um deles. Você certamente vai notar um pedido quase desesperado da mente para deixar tudo como está. Vamos à lista?

Não tenho tempo.

O clássico: falta de tempo. Para continuar endividado e pagando juros você tem tempo e para investir em algo que pode mudar a sua vida, não?

É muito complicado, difícil, chato.

Outro clássico. Fácil mesmo é continuar endividado, tudo do mesmo jeito. Legal mesmo é continuar não tendo controle sobre seu dinheiro e sua vida financeira?

Vou deixar para fazer quando tiver dinheiro.

Essa é outra interessante. Quer dizer que hoje você não tem dinheiro, um dia você vai resolver sua situação financeira e, só então, fará um curso para aprender a lidar com dinheiro? Ah tá…aquele dinheiro para sair, ir jantar fora, frequentar shows nunca falta, não é mesmo?

Por que devo pagar por um curso que vai me ensinar a economizar?

Talvez porque aprender custa algum dinheiro? Mas principalmente porque resolver sua situação financeira VALE muito. Ou não? Então não vou pagar para deixar tudo como está…o preço da inércia é muito maior, acredite!

Mas um fim de semana inteiro para falar de Educação Financeira?

Ficar na frente da televisão, tudo bem. Ficar dormindo, também. Mas investir um tempo para mudar sua condição financeira parece demais. O que você tem de tão importante para fazer que não pode investir na mudança da sua vida financeira?

Esse mês estou apertado. Faço no próximo.

É uma variação da falta de tempo. Agora eu não posso, muitos compromissos, quem sabe da próxima? Vai empurrando com a barriga e aproveita para deixar tudo como está…

Vou esperar virar o mês para controlar direitinho minhas contas/despesas.

Eu sei que preciso controlar meu dinheiro. Mas estamos no meio do mês. Vou deixar para o mês que vem.

Isso mesmo. Faça como todo regime que começa em uma segunda feira qualquer. Se você não se empenhar e quiser mudar, as coisas sempre ficarão sempre para depois.

Esse é assunto de homem.

Mulheres, pelo amor de Deus. Sua vida é assunto seu, bem como seu dinheiro. Se você terceirizar o controle das suas finanças para alguém, você estará delegando o resultado. Depois não adianta reclamar. Tome as rédeas da sua vida financeira.

Você não é sua mente!

Consegue perceber, amigo leitor, amiga leitora, como as pessoas têm desculpas para tudo quando não querem mudar. Não brigue com sua mente, ela apenas está fazendo o papel dela. Você precisa se dissociar dela, aceitar que ela cumpre um papel importante, mas que você pode tomar decisões diferentes.

Nosso convite é que você sempre reflita sobre as desculpas que dá, sobre os ditados populares (eles escondem crenças poderosas) e que você de fato troque uma ideia com a voz interna quando ela te mandar fazer alguma coisa. Entenda que ela não está no controle, não é ela quem manda e que ela pode, no máximo, sugerir. Você, conscientemente, deve se perguntar se o novo, a nova experiência, o novo relacionamento, o novo curso, a nova forma de ver alguma coisa não seria mais interessante ou, no mínimo, mais enriquecedora, afinal uma mente que se expande nunca mais volta ao tamanho original.

Viva o novo e aceite a dúvida!

João Henrique Ribeiro é publicitário, mestre em administração de empresas com ênfase em comportamento e practitioner em PNL. Palestrante e autor, desenvolveu toda sua carreira na tentativa de compreender as pessoas e entender porque elas fazem o que fazem. Hoje se dedica a auxiliar organizações a capacitar profissionais mais engajados e capazes. E a transformar a vida financeira de todas as pessoas.

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